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A casa que nos habita

Referencia

Peter Sloterdijk - Esferas I. "Reflexão Preliminar: Pensar o Espaço Interior".

Um homem ouviu algo que lhe soou como uma voz, como se falassem com ele. Mas não havia outro homem ali, ou se havia, algo falou por aquele homem, não foi ele mesmo quem falou. Era mais uma Fala do que uma fala, pois nela havia algo de misterioso. Lemos sobre mitologia não para sabermos sobre o que os homens um dia produziram em termos psicológicos, culturais ou religiosos- não é por interesse antropológico - , mas para vermos a casa que um dia os homens fizeram para si mesmos e que os fizeram quem eles eram. O grego antigo não estava no centro da sua própria experiência do mundo e de si mesmo. Ele se sabia lateral e aquático, mergulhado junto aos poucos elementos com quem compartilhava o meio da intimidade. Ele não criou os seus deuses, nem os deuses o criaram do exterior. Ele e os deuses foram criados no momento em que se soprou e esse sopro foi ouvido como uma Fala, algo estranho e gélido que foi acolhido, e para o qual se soprou de volta, ao se dizer: "Canta-me, ó Musas!" Os deuses cativaram e foram cultivados pelos homens. Hoje eles nos apontam para a casa semiótica em que habitamos e que nos habita.

Видео A casa que nos habita канала Thiago Ricardo de Mattos
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